sexta-feira, 14 de julho de 2017

Falso soneto sobre verdades


Não sou eu quem descreve, sou tela
E mão oculta colore alguém em mim
Torna o canvas obscuro em fundo cor marfim
Que acolhe as tintas da auspiciosa tutela

Não sou eu quem verseja, sou nanquim
Sou tinteiro e pena nas mãos da poesia
Que, ao ferir, também anestesia
E deita poemas nos papéis de mim

São imensas as forças do universo
Transmutando o todo sideral
Na alquimia hermética inspiracional

Decantam imagens, sons e versos;
E da filosofia eterna, os aforismos
Sedimentos que preenchem meus abismos