sexta-feira, 5 de maio de 2017

Não nos desanimemos

Conversando entre amigos, um deles disse que estava preocupadíssimo com o futuro e sem esperanças de melhoria da situação pela qual passamos. Tudo parece indicar que a humanidade saiu dos trilhos para nunca mais voltar e está em vias de acidentar-se fatalmente. E, triste, acrescentou que esses pensamentos o estavam minando sua fé, o fazendo se sentir de mãos atadas, desanimado, cansado, já que os esforços que vem fazendo parecem não surtir efeito na escala em que deveriam, afinal, é a humanidade toda pra se mudar, e o tempo pra que isso aconteça antes de um cataclismo, uma grande guerra ou coisa pior, parece bastante curto.

Foi quando uma amiga interveio e, diferente das respostas espiritualistas que costumamos ter na ponta da língua nessas hora, apresentou uma solução bastante pragmática. Disse ela: "Eu também já passei por isso, mas um amigo me ensinou algo que me ajudou a vencer esse sentimento ruim, essa tristeza que olhar o mundo tem nos causado. Ele me sugeriu, nessas horas, descobrir o meu "raio de ação".

E continuou: "Pra todo problema que você enfrentar, a primeira coisa é perceber até onde as suas mãos alcançam e o quanto seu braço aguenta, ou seja, o tamanho do seu raio de ação, até onde você consegue interferir no mundo. Dando preferência para as coisas próximas e conhecidas, é mais provável que elas respondam melhor às suas ações, e são mais fáceis de observar, passando a sensação de que algo está mudando. É mais eficiente do que esperar alguma coisa do outro lado do mundo perceber o seu movimento e correspondê-lo."

Na hora me lembrei do filme "A Corrente do Bem" (Pay It Forward; 2000), cuja ideia principal é basicamente a mesma sugerida pela minha amiga: faz-se algo bom para quem está próximo de você e esta pessoa faz o mesmo com quem estiver próximo dela, e assim adiante, até que, tempos depois, um maior número de pessoas estarão participado de um ciclo virtuoso de bem-fazer e bem viver.

Não é nada nova e muitos ainda dizem ser utopia, mas eu acho a ideia bastante plausível e inspiradora. E que, se fosse realmente praticada pela parte significativa de pessoas que assistiram ao filme e se sentiram tocadas, o mundo já estaria colhendo melhores resultados do que aqueles que deprimem o meu amigo e um grande número de pessoas.

Então, não é preciso imensas elocubrações filosóficas para entender a moral cósmica; não é preciso criar grandes planos de alcance mundial, movimentando as pesadíssimas engrenagens do mundo sozinhos. É gasto energético desnecessário, ficaremos cansados antes do tempo. 

Preocupar-se com o futuro é importante, mas ele é resultado do presente. Dividindo as responsabilidades entre todos, ninguém fica sobrecarregado, facilitamos o trabalho e diminuímos o peso, principalmente na consciência, dando o exemplo a quem pode nos ver e seguir. As pequenas atitudes, com seus resultados facilmente visíveis e palpáveis, além de cansar menos, nos animam a continuar agindo. Por isso não há motivos para desânimo. A solução está mais perto do que pensamos. Façamos!

Um comentário:

Adriana Oliveira disse...

Refleti e lembrei do meu "raio de ação" no tempo em que meu pai era encarnado. Eu pegava uma vassoura, lixeira e pá, e, começava a varrer a calçada de casa, de repente, eu j´pa estava varrendo um quarteirão inteiro, pois me incomodava ver tanta sujeira nas calçadas, guias, valetas. Minhas irmãs davam risadas e meu pai me dizia: Filha, você não vai conseguir mudar o mundo". Mesmo assim continuei a varrer, até que, tive que parar, pois meus braços, já não suportavam mais. Me incomoda até hoje, ver papéis nas ruas etc;. Através de um diálogo entre amigos, você usou sua sabedoria de uma maneira fantástica!