quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Soneto ao amor ausente


Deito-me na tua ausência da minha cama
Transito na tua ausência da minha casa
Vivo nu sem tua pele, que eu vestia
Toda manhã, na presença consumada

Se teus olhos são ausentes, vejo nada!
E anoiteço, sem estrelas, toda noite
O silêncio das canções se faz açoite
Pois é ausente a tua boca, namorada...

É tamanha ausência tua na cidade
Que ela mesma clama, à mim, tua presença!
E, abraçados, nos consola o fim de tarde:

"Em verdade, nada nunca está ausente
Sempre fica um pouco da gente nas coisas
Sempre fica um pouco das coisas na gente"


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