quinta-feira, 30 de abril de 2009

Culturanja agora tem Podcast !


O Império Culturânjico espalha suas garras em mais uma empreitada: o Podcast Culturanja! Esta semana em edição especial (somente na internet) e à partir da semana que vem, às terças-feiras das 22 às 23h, com reprise aos sábados das 19 às 20h nas ondas da Rádio Universitária Paranaense (107,7 FM).

Eu e o Nevilton vamos falar sobre o que der na telha, mas sempre trazendo boas novidades e uma trilha sonora supimpa! Na edição #ooo você vai ouvir: Blur, Echo and the Bunnymen, Ecos Falsos, Justice, Jackson Five, Hospital Doors, Jupiter Maçã, Robert Plant e Poléxia.


É também uma chance de quem não gosta de ler (mas tá lendo, né!), curtir umas boas dicas sobre Música, Alpiste, Cultura e outros hortifrutigranjeiros em geral.

Visite o site, ouça o podcast e ainda ganhe de brinde um tutorial ilustrado de como estampar sua própria camiseta pelo método Neviltônico.


Obs: também estamos na moda, temos twitter! @culturanja

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Faroeste "cabrôco"

"Hey, garçon... me dá um Cynar!"


Saiu um "Bang Bang" baseado em fatos reais na Cultura & Arte deste 26 de Maio. Quem mora ou conhece bem Umuarama vai entender mais do que os forasteiros. Mas, porém, toda via, entretanto e mesmo assim, convido todos à leitura!


Era Uma Vez No Noroeste



Cansado de viver isolado na solidão e distância do Far West, Zé McSilva estava buscando vida nova. Galopou durante dias rumando para o Leste até que avisou um pequeno povoado. “Rancho Longe”, era o que estava escrito na placa de madeira da entrada do vilarejo, na qual, ao chegar mais perto e dar uma olhada mais detalhada, via-se um intrigante escrito à mão, logo abaixo do número de habitantes: “Povinho da Fogueira”. Mas ele estava tão cansado que lhe pareceu bem sábio pernoitar por ali mesmo.

Assim que entrou na cidade, enquanto contornava a pracinha, ficou espantado com o que viu. Marcas de tiros por todos os lados. Pensou em mudar de idéia sobre ficar por lá, mas não iria perder a chance de um trago.

Cavalgou até o “Bar do Turco Velho” logo em frente à praça, desceu do cavalo e amarrou-o no coxo. Empurrou as portas duplas vai-e-vem, entrou no salão e caminhou até o balcão. Com um tapa na madeira chamou o garçon, um velho barbudo.

- Me vê um conhaque, ô...Seo Turco!

O turco, num pulo só, serve e manda o copo de conhaque escorregando pelo balcão. O vaqueiro manda tudo goela abaixo num só gole e pergunta:

- Diga lá, índio velho! O que houve ali na praça?
- Um tiroteio dos brabos ontem de tarde, amigo! Foi o pessoal do Xerife contra uns bandidinhos canela-seca, da gangue do Wan Ted, que tentaram roubar o correio. Comeram chumbo pra dedéu ontem e agora tão comendo capim pela raiz. Hahahaha!
- Na praça? Em pleno dia? Rapaz, que perigo!
- Pois é... Ainda bem que foi na hora do sol quente, quando fica todo mundo dentro de casa. Quando ouvi os tiros pulei aqui pra baixo do balcão e não vi mais nada...quer outra dose?
- Manda! - e continua o papo:
- Viu, meu bom homem... onde eu acho um canto pr’eu passar a noite de hoje, hã?
- Ó chefia, atravessando a praça tem o hotel Águia do Oeste, o melhor da cidade, mas também... é o único! Hahaha!
- Hahaha, engraçadinho, hã! Muito obrigado, compadre!

McSilva deixa o “Bar do Turco Velho”, atravessa a praça, garante seu quarto no Hotel e tira um bom cochilo. Acorda com um barulhão de festa. Era a quermesse, cheia de gente sorrindo e festando, com direito à bandinha tocando na escadaria da igreja. Sem perder tempo, o viajante corre pra festa.

Enquanto o moço se enturmava com as donzelas e raparigas locais, foi interrompido por gritos de desespero. Um valentão armado estava ameaçando os freqüentadores da barraquinha de milho cozido e chuta um banquinho de madeira que atinge a canela de uma moça. De pavio curto, a moça reclama e faz o valentão atirar duas vezes contra ela e fugir correndo. Por sorte os dois tiros falharam e a moça só ganhou um desmaio e um bom trauma. Os homens do xerife nada puderam fazer naquele momento pois estavam na barraca do algodão doce e não tiveram tempo hábil para perseguir o bandido.

Nem cinco minutos depois McSilva ouve mais gritos e caos:

- Ai Caramba! Pisaram o Gordinho!

Corre para averiguar a situação e descobre que foram dois jovens bêbados, apostando uma corrida de cavalos, que invadiram a multidão e acabaram pisoteando um dos freqüentadores da festança. Mas por sorte ele estava perto do Dr. Zinho Xamego, médico da cidade, que prestou socorro.

Zé McSilva achou incrível como ninguém ficou abalado depois dos dois incidentes na mesma noite e manteve-se na festa. Foi especular com os nativos e descobriu que no “Povinho da Fogueira” esse tipo de coisa é corriqueira e todo mundo tá acostumado. Um tanto impressionado com a situação, vai conversar prefeito Brownman e com o xerife Bill Farofino que estavam na barraquinha de maçã do amor. Como já era tarde e ambos já estavam indo embora, marcaram um almoço ‘pra mó dum dêdiprosa’.

No dia seguinte estavam o prefeito, o xerife, o padre e McSilva no local combinado: o restaurante “Cachoeira”, bem tradicional na cidade. Papo vai, papo vem e todos tentando convencer o viajante de que aquilo tudo era coisa pouca, corriqueira, e que logo a “maré de azar” terminaria. E também o povo já estava um tanto acostumado com tal rotina, nem reclamava mais.

Já no final do almoço o grupo é interrompido por um oficial do Xerife, que entra correndo no restaurante. Alguém fora esfaqueado naquela madrugada. McSilva aproveitou a brecha para despedir-se, já um tanto preocupado em não ser a próxima vítima. Ao subir no cavalo, olhou para as autoridades e lhe veio uma outra pergunta na cabeça:

- Inclusive, excelências... Por que “Povinho da Fogueira”?

As autoridades se olham meio sem saber o que dizer. Então o padre se adianta de diz:

- Olha, meu filho... tem coisas que é bom a gente não mexer, né? São coisas do passado, coisa que pode criar uma imagem negativa pra nossa cidade, sabe como é... a gente precisa...
- Sei... vocês precisam é de vergonha na cara! – diz McSilva interrompendo o padre.

Então esporeia o cavalo, vira as costas e sai galopando, seguindo sua jornada para o Leste.


..........

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Coisa do demôinhu!

Lendo o livro Saci-Pererê, o Resultado de um Inquérito (1918), uma compilação de histórias do 'tinhosin', por Monteiro Lobato, encontrei na página 129, um ótimo parágrafo.

Ofereço tal achado a grandes amigos meus.

Aquele Abraço!


Trecho do Depoimento do Sr. Fabrício Junior.

"Há na minha terra uma casa onde antigamente funcionara uma loja maçônica; nós os meninos e as velhas beatas jurávamos convictos que aos sábados e sextas-feiras um bando de Sacis, mulas-sem-cabeça e lobisomens em companhia dos maçons iam ali cear e dançar. Ceavam carnes de crianças, os pratos eram crânios ainda cheios de vermes, os garfos mãozinhas de anjinhos resequidas, já o vinho para o brinde era sangue das mulheres e dos filhos dos maçons. Quem preparava a ceia era a Maria Clara, velha papuda e mandingueira. Presidiam o festim um enorme bode preto e um Saci-saperê, que sempre acabava tentando seus confrades maçons e seus parentes."


Leia a resenha do livro.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cara pálida, cabeça de vento.


Já que não deu pra sair no jornal deste domingo, aqui está minha reflexão indigenista.

Ps: Valeu pelos toques, Lili!

Índio não quer só apito.


Desde 1940 comemora-se o Dia do Índio, um feriado idealizado naquele mesmo ano durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O congresso que aconteceu no México contava com a representação de vários paises do Continente Americano. As Nações Indígenas aderiram ao evento no dia 19 de Abril e por isso a data foi escolhida como dia a se comemorar. O reconhecimento nacional do feriado se deu através do Decreto Lei número 5.540, daquele ano, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Pra mim, como muitos já perceberam, esses feriados e dias especiais são um convite à reflexão. É legal reconhecer a importância de outros povos e culturas, celebrar e agradecer a sua influência e seu papel na formação do nosso país e da Cultura Nacional, mas quando se deixa o discurso cheio de fru-frus de lado e se coloca o pé no chão, vemos o grande equívoco que é a política indigenista do Brasil.

Nossa relação com os habitantes originais das Américas já começou errada. Os colonizadores Portugueses e Espanhóis desembarcaram por aqui e “em nome do Rei”, “em nome da Igreja”, “em nome da Civilização” ou com qualquer outra justificativa sem lógica, começaram o extermínio desse povo. Pelo menos eu ainda não encontrei uma justificativa decente pro ato de invadir uma área, matar os donos e espalhar pelo mundo que o lugar é seu. E vale lembrar que o extermínio sistemático dos índios não é algo brasileiro dos tempos de Cabral. Até os anos de 1950, 60 e 70, durante a “colonização” do interior do Brasil, a chacina corria solta. Em todos os paises da América foi assim: México, Venezuela, Estados Unidos da América, Colômbia...

Hoje continuamos tentando eliminar os índios ao invés de inseri-los dignamente na nação brasileira. O que a FUNAI pretende ao obrigar brasileiros (quem nasce no Brasil é brasileiro, né?) a morarem no mato, sem esgoto, com saúde a perigo, sem conforto em pleno Século XXI eu ainda não sei. Alguém obriga o Gaúcho a morar num Rancho pra preservar seus traços culturais? Alguém obriga os Italianos a abrirem cantinas e pizzarias, ou os Japoneses a usarem Kimonos? Então por que diabos os coitados dos índios tem que viver de tanga no mato, vivendo da caça da pesca e do artesanato?

De que serve fazer esse teatrinho de subsistência e harmonia com a natureza enquanto se distribui televisão, antena parabólica, roupas e comida nas aldeias? Ressalte-se que é tudo feito com verba da FUNAI, ou seja, nosso dinheiro. Não seria mais fácil trazer esse povo pra cidade e dar escola, emprego, saúde e condições de levar uma vida decente, sem doenças e bicho de pé? É mais um sistema pra se roubar descaradamente o dinheiro do povo, do mesmo tipo que transforma os flagelados da seca no nordeste num negocio rentável para os políticos da região. É, enfim, uma grande indústria que joga a verba federal nos bolsos privados.

Eu sei de muitos índios que estudam, trabalham e vivem como pessoas do nosso século e não vou generalizar qualquer critica feita aqui. Mas eles me parecem exceções, contestadoras exceções que não gostam de viver de favor, que sabem ter a mesma capacidade de qualquer outra pessoa de qualquer outra etnia. Que não caem nesse conto da carochinha de que cotas de ensino, políticas e verbas especiais vão resolver um problema social que é reflexo de atitudes individuais ou de um grupo. O governo só fomenta a preguiça e o clientelismo com essa política de “dar o peixe” ao invés de “ensinar a pescar”. E todos sabemos que melhores pescadores do que os índios não existem! Será que eles se lembram disso?

Claro que se lembram, e também usam esse sistema viciado para faturar. Existem muitos grupos que vivem em regiões abarrotadas de minérios valiosos, pedras preciosas, madeira e outros recursos naturais de valor e faturam um dinheiro alto negociando isso. Por morarem no mato e viverem “da caça e da pesca” eles não pagam impostos, mas adoram pedir mais dinheiro, mais terra mais infra-estrutura a custa do dinheiro do diabólico Homem Branco. É obvio que esse pessoal não vai querer vir para cidade e pagar impostos. São brasileiros na hora de pedir, mas não na hora de pagar.

E é assim que em pleno século XI, colhemos os frutos de uma política indigenista alienada e defasada. Se o Brasil pretende ser uma nação unida, forte, produtiva e igualitária, deve sair de cima do muro e tomar uma postura decente de reafirmação de sua soberania. É preciso unir o povo, parar de ter dois pesos e duas medidas para lidar com as coisas. Índio não é bicho pra se preservar no mato, eles são pessoas como todos no mundo, com desejos, capacidades, força e muita inteligência e por isso merecem ser tratados como tal. Já passou da hora de passar o Brasil a limpo, sob pena de perdê-lo.


..........

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Curte uns contos fantásticos?


Fiquei feliz em saber que publicaram dois contos meus no site Contos Fantásticos, do amigão Afonso Luiz Pereira.

São esses dois:

Esses Vegetarianos

e

A Travessa dos Prazeres



Pra quem ainda não os leu, taí uma boa oportunidade. Pra quem já conhece, garanto que lá está cheio do ótimos contos.

Muito obrigado Afonso! Inclusive, adorei as imagens dos títulos!!!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Cultura & Arte 12.04.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 12 de Abril de 2009.

Crônica:
- Considerações Sobre a Páscoa

Matérias:
- Workshop: Circo para Teatro ministrado por Ana Maria Valério [Centro Cultural Schubert, Fundação Cultural de Umuarama]

- De Corpo Presente [Rock Independente Umuaramense, Nevilton]

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Publicidade Popular Paulistana

A Alameda Barão de Limeira, em São Paulo, é uma das ruas mais legais que eu já vi. Tem a redação da Folha de São Paulo, tem um monte de botecos legais, incluindo o Gruta Azul e o Folhão (tradição e qualidade, inclusive de madrugada), tem a Alameda dos Vinhos e a chique Padaria Campos Eliseos.

E tem também a Central Automóveis, expert em Marketing e campeã em criatividade!



Salgadinho garante: Aqui o preço é Doce!!!



Que saudade dessa rua...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Equipe NINJA de Dedetização


Para exterminar cupins ou pr'aquele churrasquinho legal é só chamar. :cD

Os melhores da Neviltonlândia!

Polidez Européia.



Em Curitiba, a polidez européia do Seo Taborda não deixou que ele aviltasse nossos nobres amigos livros os chamando de usados (gastos, velhos, estragados, deteriorados pelo uso). Muito menos aceitou chamar sua linda e limpa lojinha de sebo, que lembra sujeira, meleca.

Tá de parabéns, Seo Taborda!


quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Boa Insônia

tentar dormir ai,
sonhando ao teu lado,
é certo, desconcentro.

não durmo, igual aqui.
mas me aninho, animado
pois sei que estou aí dentro!




terça-feira, 7 de abril de 2009

Vida Cinzenta



Curitiba, 4:40 da manhã, voltando dum samba,
entrei no Madrugueiro, um ônibus cinza
e cinza era a cor que todos vestiam.
Estavam indo trabalhar.
Eu estava de verde.


Demorei pra tirar a foto e perdi de registrar umas 5 pessoas cinzentas a mais.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cultura & Arte 05.04.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 5 de Abril de 2009.

Crônica:
- Domingo de Ramos

Especial:
- Kurt Cobain: 15 anos depois. [Passo a passo: 05.04.94, do despertar ao suicídio]

domingo, 5 de abril de 2009

Terça-Feira, 5 de Abril de 1994.

Essa é a segunda parte dos últimos dias de Kurt Cobain, o texto é ótimo, não pela qualidade da escrita, às vezes duvidosa, mas pelo conteúdo. Ele dramatiza o que teriam sido os últimos momentos de vida de Kurt Cobain, e apesar de não saber a autoria, parabenizo o sujeito que o escreveu.

O Nirvana marcou minha vida e a de muita gente. A morte de Kurt Cobain a exatos 15 anos atrás foi um tanto chocante pra mim, um dia que não me esqueço. Recebi um telefonema da minha mãe que disse:

- Sabe aquela banda que você não para de ouvir? Então o vocalista morreu!
- O Kurt, do Nirvana?
- É, Nirvana, isso mesmo.
Se matou.


Ela me trouxe o recorte de jornal onde havia visto a notícia, que inclusive tenho até hoje. Eu tinha apenas 14 anos, algumas camisas de flanela, um violão e o desejo de ser como ele. Hoje aos quase 29, sou mais velho do que Cobain jamais será e ainda assim muito do que ele disse e fez ainda faz sentido e norteia as minhas criações.


Obrigado pelo rock, Kurt.


A Terça-Feira que ninguém viu.


Algumas horas antes da alvorada de terça-feira, 5 de Abril de 1994, Kurt Cobain havia despertado em sua cama. Os travesserios ainda tinham o cheiro do perfume de Courtney, sua esposa. No quarto, o aroma misturou-se com o cheiro ligeiramente picante da heroína cozida - este também era um cheiro que o despertava.


Kurt havia dormido com suas roupas do corpo. Vestia sua camiseta da banda Half Japanese e suas calças Levi's favoritas. Vestiu e amarrou os cadarços do par de tênis Converse que possuia, caminhou até o aparelho de som e colocou para tocar um disco do R.E.M., "Automatic for the People". Acendeu um Camel Light e caiu de costas na cama com um bloco tamanho ofício apoiado em seu peito e uma caneta vermelha de ponta fina. Ele já havia escrito uma longa carta pessoal à sua esposa e filha, rapidamente rabiscada, enquanto estava no Exodus. Ele havia trazido o papel até Seattle e havia enfiado sob um dos travesseiros impregnados de perfume. "Você sabe, eu amo você. Eu amo Frances. Eu sinto muitíssimo. Por favor, não venha atrás de mim. Eu sinto muito, muito, muito.", eram algumas das palavras que Kurt havia escrito, enchendo uma página inteira com esse pedido de perdão. "Eu estarei lá", continuou ele. "Eu protegerei você. Não sei para onde estou indo. Simplesmente não posso ficar mais aqui."


Tinha sido muito difícil escrever aquele bilhete, mas ele sabia que esta segunda carta seria igualmente importante e ele precisaria ter cuidado com as palavras. Ele endereçava "Para Boddah", o nome de seu amigo de infância imaginário. Quando soltou a caneta, havia enchido a página inteira, exceto por cinco centímetros. Ele fumara três cigarros redigindo o bilhete. As palavras não tinham saído com facilidade e havia erros de grafia e sentenças pela metade. Ele assinou dizendo "paz, amor e empatia. Kurt Cobain". Escreveu ainda mais uma linha - "Frances e Courtney, eu estarei em seu altar" - e enfiou o papel e a caneta no bolso esquerdo do casaco.

Ele se levantou da cama e entrou no closet, onde retirou uma tábua da parede. Neste cubículo secreto havia uma arma dentro de uma capa de náilon bege, uma caixa de cartuchos de espingarda e uma caixa de charutos Tom Moore. Ele repôs a tábua, enfiou os cartuchos no bolso, agarrou a caixa de charutos e aninhou a pesada espingarda sobre seu antebraço esquerdo. Em um closet do corredor, ele apanhou duas toalhas - ele não precisava delas, mas sabia que alguém precisaria. Desceu silenciosamente os dezenove degraus da larga escadaria. Estava a cerca de um metro do quarto de Cali e não queria que ninguém o visse. Ele havia refletido sobre tudo isso, traçado um mapa com a mesma premeditação que dedicava às capas de seus discos e a seus vídeos. Haveria sangue, muito sangue, e uma bagunça que ele não queria em casa. Principalmente, ele não queria assombrar aquele lar, deixar sua filha com o tipo de pesadelos com que ele havia sofrido.


Quando se dirigia para a cozinha, passou pela soleira da porta onde ele e Courtney haviam começado a acompanhar o quanto Frances havia crescido. Apenas uma linha estava ali agora, uma pequena marca de lápis com o nome dela a cerca de 79 centímetros acima do chão. Kurt nunca mais veria outra marcas mais altas naquela parede, mas estava convencido de que a vida de sua filha seria melhor sem ele.



Na cozinha, ele abriu a porta de sua geladeira Traulson de aço inox de 10 mil dólares e apanhou uma lata de cerveja de raizes da Barq, tomando cuidado para não soltar a espingarda. Levando essa carga macabra - cerveja de raízes, toalhas, uma caixa de heroína e uma espingarda, tudo o que mais tarde seria encontrando num arranjo de plantas bizarro -, ele abriu a porta para o quintal e atravessou o pequeno pátio.

A aurora estava rompendo e a neblina pairava próximo do chão. A maioria das manhãs em Aberdeen, sua cidade natal, eram exatamente assim: nevoentas, orvalhadas, úmidas. Ele jamais veria Aberdeen novamente; jamais escalaria efetivamente até o topo da caixa d'água no "Morro do Think of Me"; jamais compraria a fazenda que sonhava em Grays Harbor; jamais acordaria novamente numa sala de espera de hospital tendo fingido ser um visitante para só encontrar um lugar quente para dormir; jamais veria novamente sua mãe, irmã, pai, mulher ou filha. Ele trilhou os cerca de vinte passos até a estufa, galgou os degraus de madeira e abriu o conjunto de portas francesas dos fundos. O piso era de linóleo: seria fácil de limpar.

Ele sentou-se no chão da estrutura de cômodo único, olhando para as portas da frente. Ninguém conseguiria vê-lo ali, a menos que estivesse trepado nas árvores atrás de sua propriedade, e isto não era provável. Não queria mais ver o interior de um hospital novamente, não queria um médico de jaleco branco apalpando-o, não queria ter um endoscópio em seu estômago dolorido. Ele estava acabado para aquilo tudo, acabado para o seu estômago, ele não poderia estar mais acabado. Como um grande diretor de filmes, ele havia planejado este momento até os mínimos detalhes, ensaiando esta cena ao mesmo tempo como diretor e como ator.




No curso dos anos, tinha havido muitos ensaios finais, passagens de raspão que quase seguiam este caminho, fosse por acidente ou, às vezes, por querer, como em Roma. Talvez fora sempre isto que ele guardava vagamente em sua cabeça, como um ungüento precioso, como a única cura para uma dor que jamais passaria. Ele não se importava com a liberação do desejo, ele desejava a libertação da dor.

Ficou sentado pensando coisas que só ele sabia por vários minutos. Fumou cinco Camel Light e sorveu vários goles de sua cerveja. Tirou o bilhete do bolso, estendeu-o no chão do linóleo e tinha de escrever em letras maiores, que não saíram tão perfeitas, por causa da superfície que ele estava: "Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances, pela vida dela que será muito mais feliz sem mim. Eu te amo. Eu te amo". Essas últimas palavras haviam completado a folha. Depositou o bilhete no alto de um monte de terra para vasos e fincou a caneta no meio, para que, como uma estaca, segurasse o papel no alto, sobre a terra.

Tirou a espingarda da capa de náilon macia. Dobrou cuidadosamente a capa, como um garotinho separando suas melhores roupas de domingo depois da missa. Tirou a jaqueta, estendeu-a sobre a capa e colocou as duas toalhas no alto desse monte. Ele foi até a pia e apanhou uma pequena quantidade de água para o seu fogareiro de droga e sentou-se novamente. Abriu a caixa com 25 cartuchos de espingarda e tirou três, enfiando-os na câmara da arma. Moveu o mecanismo da Remington para que um único cartucho estivesse na câmara. Retirou a trava de segurança da arma.

Fumou seu último Camel Light. Tomou mais um gole da Barq. Lá fora, estava começando um dia nublado - era um dia como aquele em que ele chegara a este mundo, 27 anos, um mês e dezesseis dias antes. Ele agarrou a caixa de charutos e tirou um pequeno saco plástico que continha cem dólares de heroína preta mexicana - era um bocado de heroína. Ele pegou cerca de metade, um chumaço do tamanho de uma borracha de lápis e o colocou na colher. Sistemática e habilmente, preparou a heroína e a seringa, injetando-a logo acima do cotovelo, não muito longe de seu "K" tatuado. Devolveu os instrumentos para a caixa e se sentiu uma nuvem, rapidamente flutuando para longe deste lugar. O Jainismo pregava que havia trinta céus e sete infernos, todos dispostos em camadas ao longo de nossas vidas; se ele tivesse sorte, este seria seu sétimo e último inferno. Afastou a caixa, flutuando cada vez mais rápido, sentindo sua respiração se reduzir. Ele tinha de se apressar agora: tudo estava se tornando nebuloso e um matiz verde-água enquadrava cada objeto. Agarrou a pesada espingarda, encostou o cano contra o céu de sua boca. Faria barulho; ele tinha certeza disso. Disparou.




Kurt Donald Cobain 1967 - 1994



Ps: Leia a resenha "Kurt Cobain: About a Son" no Culturanja.


sábado, 4 de abril de 2009

Os últimos dias de Kurt Cobain


Neste domingo, dia 05 de Abril, completam-se 15 anos da morte de Kurt Cobain, guitarrista, compositor e vocalista do Nirvana.

A primeira vez que li esse texto foi no Wikipedia, no verbete "Kurt Cobain", ano passado. Passei lá esses dias atrás e o texto tinha sumido! Então foram algumas três horas e lá vai minuto vasculhando a web atrás do dito cujo. Encontrei e copiei. Vou publicar aqui pra não perdê-lo mais de vista.
Infelizmente não pude verificar a autoria da peça, mas agradeço e parabenizo o sujeito que a fez.

Dividi o
texto original, um tanto grande, em duas partes: A primeira delas, logo abaixo, é uma descrição dos últimos dias de vida de Cobain, desde 1 de Março até tempos depois do funeral (tá, ainda ficou grande...). A segunda parte será publicada no dia 05 de Abril e é incrível, dramatiza os últimos momentos de vida do músico, embasado nos detalhes recolhidos pela perícia criminal, como se estivesse lado a lado com o cara. Espero que gostem.


1 de Março de 1994.

Foi a data do último show do Nirvana. Aconteceu no Terminal Einz, em Munique, Alemanha. Um Kurt completamente estafado e com a voz visivelmente desgastada determina férias instantâneas - shows marcados para os dias 2 e 3 são cancelados e, depois, adiados para abril, quando a turnê européia teria sua segunda parte. Cobain é diagnosticado com bronquite e com uma grave laringite e vai para Roma, Itália, para descansar, se medicar e encontrar com Courtney Love.

Formação final do Nirvana para a turnê "In Utero": Pat Smear, Dave, Krist e Kurt.



Esse é um vídeo do último Show do Nirvana, no Terminal Eins, em Munique, Alemanha.


Courtney Love chega a Roma no dia 3 e encontra Kurt no Hotel Excelsior. O casal passou várias semanas sem se ver e as expectativas de Kurt pelo reencontro levam um banho de água gelada quando Courtney diz que está exausta e quer dormir. Quando ela acorda na manhãzinha do dia 4, Kurt está no chão, com o nariz sangrando. Ele havia tomado champanhe e cerca de 50 pílulas do tranqüilizante Rohypnol. Kurt deixa uma carta de despedida com três folhas, caracterizando a tentativa de sucídio. Mas, oficialmente, o fato é divulgado como uma dose excessiva e acidental de medicamentos. Na carta, Kurt diz que Courtney não o ama mais, e que ele preferia morrer a passar por mais um divórcio (o primeiro foi o de seus pais). Internado no hospital Umberto I, Kurt sai do coma no dia 5 e é transferido para o American Hospital, também em Roma. Recebe alta no dia 8 e volta para os Estados Unidos no dia 12.

Em 18 de março, Courtney chama a polícia de Seattle porque Kurt se trancou em um quarto da casa com um revólver. Os policiais conversam com ele, que afirma não ser um suicida e querer apenas ficar longe da esposa. As quatro armas que Cobain tem na casa são confiscadas.

Love, então, planeja intervir seriamente nos problemas de Kurt, preocupada com seu vício em heroína. Dez pessoas envolveram-se no trabalho, incluindo colegas, amigos, executivos da gravadora e Dylan Carlson, um dos amigos mais íntimos de Kurt. Danny Goldberg, empresário do Nirvana, descreveu Cobain como sendo "extremamente relutante" e que "ele negava que estava fazendo qualquer coisa auto-destrutiva". Contudo, Cobain concordou em se internar no Exodus, em Los Angeles, Califórnia, que aconteceu em 30 de março. Courtney estava na mesma cidade promovendo o novo disco do Hole, "Live Through This".


Kurt, Frances e Courtney. A família Cobain.

No dia 1º de Abril, por volta das 19:30h, Kurt saiu pelas portas dos fundos da Exodus sob o pretexto de fumar um cigarro e escalou o muro de pouco menos de dois metros de altura. E fugiu. Duas horas depois, Kurt usou seu cartão de crédito para comprar uma passagem de primeira classe para Seattle no vôo 788 da Delta. Antes de embarcar, ligou para a Seattle Limusine e marcou para ser apanhado no aeroporto - pediu explicitamente para que não enviassem uma limusine. Tentou falar com Courtney, mas ela não estava - deixou uma mensagem dizendo que havia ligado. Ela já o estava procurando em Los Angeles assim que soube que Kurt sairia do Exodus. Ficou convencida de que ele irira comprar drogas e provavelmente ter uma overdose.

Kurt chegou em sua casa, no Lake Washington, em Seatle, à 1:45h da manhã do sábado, 2 de abril. Ali, passou um tempo com o casal Cali e Jessica Hooper, colegas que estavam hospedados na casa. Horas depois, Kurt chamou um táxi e tentou comprar munição. Vendo que as lojas ainda estavam fechadas, Kurt desistiu e provavelmente se hospedou no motel Crest ou no Quest - que ficavam próximos de um de seus traficantes. Naquele dia ele também foi até a Seattle Guns e comprou uma caixa de cartuchos de espingarda calibre 20.

Com o intuito de descobrir o paradeiro de Kurt, Courtney cancelou todos os seus cartões de crédito. Nos dois dias que se seguiram, houve notícias dispersas de que Kurt havia sido visto. Na noite de domingo, 3, ele foi visto no restaurante Cactus, jantando com uma mulher magra, provavelmente sua traficante, Caitlin Moore, e um homem não identificado. Naquele domingo, Courtney ligou para detetives particulares das Páginas Amarelas de Los Angeles, até que encontrou um que estava trabalhando naquele fim de semana. Tom Grant e seu assistente Ben Klugman a visitaram naquela tarde. Ela disse que seu marido havia fugido do centro de reabilitação, que estava preocupada com a saúde dele e pediu a Grant que vigiasse o apartamento da traficante Caitlin Moore, onde ela imaginava que Kurt poderia estar. Grant subcontratou um detetive de Seattle, dando-lhe ordens para observar a casa de Dylan Carlson e o apartamento de Caitlin. A vigilância foi montada naquele mesmo domingo. Entretanto, os detetives não montaram guarda imediatamente na casa de Kurt, que ficava no Lake Washington Boulevard.

A casa dos Cobain em Lake Washington, Seatle, U.S.A.

Na segunda-feira, 4 de Abril, Courtney pediu que a polícia verificasse a casa em Lake Washington. Os policiais passaram por lá várias vezes, mas não viram nenhum movimento. Naquele dia, à noite, Cali saiu de casa, deixando Jessica sozinha no quarto dele. Por volta da meia-noite, ela ouviu ruídos. "Ouvi passos no andar de cima e no corredor", lembra ela. Gritou um "oi" mas não ouviu resposta. Estima-se que era Kurt chegando naquele começo de madrugada. Cali só voltou depois das três da manhã, e ele e Jessica dormiram até tarde da manhã seguinte.

Na tarde de terça-feira, 5 de Abril, Courtney mandou Eric Erlandson, seu amigo e guitarrista do Hole, ir até a casa do Lake Washington procurar por Kurt. Ele encontrou-se com Cali e Jessica e os três procuraram por Kurt, armas e drogas. Tentativas todas em vão. Ninguém pensou em procurar na garagem e na estufa, e Erlandson saiu apressado rumo à casa em Carnation, onde a irmã de Kurt morava na ocasião. Na quarta, 6, Jessica e Cali deixaram a casa dos Cobain, mas na tarde de quinta, 7, Courtney conseguiu falar com o casal e ordenou que procurasse por Kurt mais uma vez na casa do Lake Washington. Os dois foram até lá juntos com uma amiga, Bonnie Dillard. Não encontraram nada e deixaram um bilhete com um sermão para Kurt e mandando-o procurar por Courtney. Logo que foram embora, Dillard mencionou que talvez tivesse visto algo perto da garagem, mas, amedontrados, ninguém quis voltar para checar.

O corpo de Kurt Cobain foi encontrado pelo eletricista Gary Smith, que chegou à casa do Lake Washington para instalar um novo sistema de segurança. Às 8:40h da sexta-feira, 8 de Abril, Smith estava perto da estufa e olhou para dentro dela. "Eu vi um corpo estendido lá no chão. Pensei que fosse um manequim. Depois notei que havia sangue na orelha direita. Vi uma espingarda estendida ao longo de seu peito, apontando para seu queixo", relatou Gary. Ele ligou para a polícia e, em seguida, para sua empresa.

No sótão, acima da garagem jazia o corpo de Kurt Cobain.


A Cena.

Enquanto isso, em Los Angeles, Courtney havia sido internada no Exodus na quinta-feira, 7, para reabilitação. Na sexta, recebeu a notícia da morte de Kurt através da colega Rosemary Carroll. Courtney deixou a cidade num Learjet com Frances, Rosemary, Eric Erlandson e a babá Jeackie Farry. Quando chegaram à casa do Lake Washington, ela estava cercada por equipes dos telejornais.

Foi possível identificar o cadáver como sendo de Kurt, embora seu aspecto fosse macabro: as centenas de bolinhas de chumbo do cartucho da espingarda haviam espandido sua cabeça e o haviam desfigurado. A polícia retirou as digitais do corpo e as impressões batiam com àquelas já arquivadas no caso da prisão por violência doméstica.

A autópsia encontrou traços de benzodiazepinas (tranquilizantes) e heroína no sangue de Kurt. O nível de heroína era tão alto que mesmo ele - famoso pela enorme quantidade que tomava - não poderia ter sobrevivido por muito mais tempo do que aquele que levou para disparar a arma.


Courtney estava inconsolável. Quando os policiais finalmente deixaram o local, e com apenas um guarda de segurança como testemunha, ela reconstitiu os últimos passos de Kurt, entrou na estufa - que ainda tinha de ser limpa - e mergulhou as mãos em seu sangue. No chão, ajoelhada, ela rezou e gemeu de dor, erguendo as mãos cobertas de sangue para o céu e gritou: "Por quê?!". Ela encontrou um pequeno fragmento do crânio de Kurt com cabelo preso a ele. Ela lavou e passou xampu nesse horripilante suvenir.

No sábado, 9 de Abril, Courtney foi até a agência funerária para ver o corpo de Kurt antes de ser cremado - ela já tinha solicidado que fossem feito moldes de gesso de suas mãos. Grohl tambem foi convidado e declinou, mas Krist compareceu, chegando antes de Courtney. Ele passou alguns momentos a sós com seu velho amigo e desatou a chorar. Quando ele saía, Courtney foi introduzida na sala de inspeção.

Kurt estava sobre uma mesa, vestido com suas roupas mais elegantes, mas seus olhos tinham sido costurados. Era a primeira vez em dez dias que a Courtney viu o marido e foi a última vez que seus corpos físicos ficaram juntos. Ela acariciou seu rosto, falou com ele e cortou uma mecha de seus cabelos. Depois, baixou as calças dele e cortou uma mecha de seus pêlos púbicos. Finalmente, ela subiu em cima de seu corpo, abraçando-o com as pernas e recostou a cabeça em seu peito e lamentou: "Por quê, por quê?".



Diversas cerimônias foram realizadas em memória de Kurt. Umas das mais notáveis aconteceu numa tarde de domingo: uma vigília pública foi realizada no Pavilhão da Bandeira do Seattle Centre e reuniu 7 mil pessoas, que levaram velas, flores, cartazes e algumas camisas de flanela em chamas. Um conselheiro de suicídio discursou e incentivou os jovens em dificuldades a pedirem ajuda, enquanto os DJs lcocais trocavam recordações. Uma mensagem curta de Krist foi divulgada, bem como uma fita de Courtney, que leu também a carta de despedida de Kurt.

O corpo de Kurt Cobain foi cremado e Courtney recebeu a urna com as cinzas uma semana depois. Ela pegou um punhado e o enterrou sob um salgueiro na frente da casa. Em maio, colocou o resto numa mochila de ursinho e viajou até o mosteiro budista Namgyal, perto de Ítaca, estado de Nova York, onde procurou consagração para as cinzas e absolvição pra si mesma. Os monges abençoaram os restos e usaram um punhado para fazer uma escultura comemorativa.

A maior parte dos restos mortais de Kurt ficou depositada em uma urna no endereço do Lake Washington, até 1997, quando Courtney vendeu a casa, mas insistiu num acordo que lhe permite voltar um dia e remover o salgueiro.

Por fim, Frances Bean Cobain, então com seis anos de idade, espalhou as cinzas do pai no riacho McLane, em Olympia, Washington - elas dissolveram e flutuaram na corrente. Em diversos sentidos, este era, também, um local adequado para o descanso.


A viúva e a já não tão pequena Frances. A cara do Pai!


Não foi o suficiente? Neste domingo, dia 05 de Abril, os últimos momentos de vida de Kurt Cobain. Até lá!


Ps: Não perca de ler como foi o 05 de Abril de 94 de Kurt Cobain.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Poema: Ver-te Amanhecer

Taí um poeminha fim de noite, feito num boteco, naquela hora da saudade. Lapidado depois, no sossego do lar, na madrugada.




Ver-te Amanhecer

Pudera amanhecer em seus olhos novamente
E não ter mais rixa alguma com a solidão
E por mais que eu tanto insista e muito tente
Já é tarde pra mudar um coração

Então me perco entra tantas tão sem graça
Que encontro em cada beco da cidade
E recorro à boa ajuda da cachaça
Que é pra ver se dou um jeito na saudade