domingo, 12 de dezembro de 2004

Hypnoise [1998-2004]

Nota: Parte importante da minha história, principalmente na questão musical, é impossível não publicar os poucos, mas importantes, registros da Hypnoise. A versão original deste texto, um registro histórico o mais detalhado possível, foi escrita em 16 de julho de 2006, por ocasião do lançamento do EP Sof Carpet, da Hypnoise. Para esta atual publicação, revisei e acrescentei alguns desdobramentos históricos posteriores.


Umuarama, no final da década de 1990, tinha se transformado numa cidade iminentemente universitária. Pessoas de todos os lados do Paraná e do resto País estavam convivendo, trocando influências e cultura, principalmente musical. Nesse contexto, a antes pacata cidade do Noroeste do Paraná estava para presenciar mais uma das costumeiras ondas de bandas locais.

Em Janeiro de 1998, Fábio Suzuki, Mitchel Kipgen, Eduardo M. Custódio, Tiago Sá Carneiro e Julio Cysne, universitários da cidade, se reuniram no há muito tempo extinto Cabeça Oca, um bar meio quiosque, para um show de sua banda, que se chamava Mussy. Na platéia daquele show estava uma garota de 14 anos de idade, que adorava música e se chamava Tammy Yokohama, que  levou a notícia da nova banda da cidade até seu irmão Francis Yokohama. Foi assim que os irmãos, que também tocavam e cantavam, começaram a acompanhar os ensaios da Mussy, até que foram convidados a se juntarem à banda.

Durante o ano de 1998 a banda Mussy tantas formações diferentes e tão poucos ensaios que era praticamente uma formação por ensaio, uma aglutinação e desaglutinação de várias bandas locais e músicos avulsos até, finalmente, originar uma banda fixa, que foi chamada de HYPNOISE. Eram eles: Mitchel Kipgen (vocais); Tammy Yokohama (vocais); Francis Yokohama, o Bodão (guitarra e vocais); Anderson Willian Gazzi (guitarra); Fábio Suzuki, o Japa (Teclado); Julio Cysne (baixo) e Fernando Livoni (bateria).

A influência sonora da Hypnoise era o rock alternativo e a cultura grunge, muito em voga naquela década. O som de bandas como Pixies, Pavement, Garbage, Pearl Jam, Nirvana e tantas outras da cena alternativa corriam nas veias daqueles caras. E foi com suas musicas "esquisitas", porém muito bem tocadas, que a Hypnoise conquistou seu espaço na cidade e logo já estavam tocando em Foz do Iguaçu, Cascavel e Maringá, chegando até Florianópolis. Em Umuarama ficaram eternizadas as várias apresentações, sempre lotadas de gente, no bar Arpoador (também extinto)

Foi nesse contexto que a banda, de repertório dominantemente de músicas "cover", gravou seu primeiro single "Atomikane - Again". Esse trabalho foi gravado num Home Studio da cidade, o D'Art Studio, com Diloê Novak, André Sá Carneiro (irmão de Tiago Sá, o primeiro guitarrista da banda) e Tiago "Lobão" Inforzato como equipe de gravação. Na mesma sessão de gravação foi gravado um "Release Album", com outras nove musicas "cover", registro do que era o trabalho da banda naquele momento. 

Após a gravação do single, mais exatamente em 20 de abril de 2000, a Hypnoise sofre sua primeira baixa, Julio Cysne, baixista e recém formado em Odontologia, deixou a banda para se dedicar à sua nova carreira e se muda para Santa Catarina. Para assumir seu lugar, a banda convida Tiago Lobão, que assume a "cozinha" junto com Fernando Livoni

Com a nova formação, conquistaram outras regiões do estado do Paraná e se tornaram referência na cidade. Tocaram por todo o estado (Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Francisco Beltrão, Pato Branco, Maringá, Curitiba e outras tantas); voltam para uma temporada em Santa Catarina, com apresentações em Laguna e Meia Praia; além de manter apresentações constantes em Puerto Iguazu, na Argentina.

É nesse circuito que a banda passa a maior parte do tempo, aumenta sua visibilidade e chama atenção de outros músicos, fortalecendo a cena local e influenciando outras bandas de Umuarama, como a Jugulator (Heavy Metal), Overload (Alternativo), Dead Clock (Grunge), Lady Killers (Grunge), Facamolada (Rock n' Roll) e diversas outras.

De 06 a 11 de Março de 2001, acontecem as sessões de gravação do primeiro EP com músicas da própria banda, o "Soft Carpet". A banda se reuniu novamente no D'Art Studio para uma semana intensa de gravações para registrar cinco músicas: Again, Broken Fingers, Cinco Dias, Lost My Dreams e Million Miles Ago. Infelizmente, por discordâncias internas, o EP ficou sem ser lançado até julho de 2006.

A banda seguiu seu caminho de shows pelo Paraná, normalmente, até que em 16 de Março de 2002 sofre sua Segunda baixa, Fábio Suzuki, o Japa, tecladista resolve deixar a banda. Ninguém foi chamado para substituí-lo, transformando a Hypnoise em um sexteto.

Durante sua trajetória, a Hypnoise pôde dividir o palco com bandas peso-pesado do rock nacional como Pato Fu, Detonautas, Velhas Virgens, Dazaranha, Gram (que na época ainda se chamava Mosva e fazia tinha um ótimo trabalho de Beatles cover).

Depois de seis anos de atividades ininterruptas e muitos quilômetros rodados em Vans e no Opalão do Mitchel, a Hypnoise, infelizmente, encerrou oficialmente suas atividades em agosto de 2004. Mas, seus integrantes continuaram ativos na música. Mitchel, Francis e Tammy resolveram se mudar para Curitiba, capital do estado, onde fundaram a banda Novanoise; Loão, Anderson e Fernando ficaram em Umuarama e, junto com Nevilton de Alencar e Rafael Cardoso, criaram a Superlego, da qual, sem Anderson e Rafael, se originaria a primeira formação do power trio "Nevilton" (e a continuação dessa história você pode ler aqui)

Durante toda sua existência a Hypnoise divulgou o som que o rádio não toca, despertando o interesse pelo rock Alternativo, pelo Indie Rock e demais estilos menos conhecidos do rock. A banda, certamente, tem uma grande parcela de "culpa" sobre esses jovens da região que hoje ouvem Placebo, Garbage, Pixies e afins. E é com grande satisfação que posso olhar pra trás e ver esse lindo jardim que nasceu das sementes que plantamos.



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Acústico no Arpoador [1999]



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Release Album [2000]



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Soft Carpet [2001/2006]



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Ao Vivo sabe-se lá onde [???]




Video Memória:

Este vídeo foi compilado pelo Francis Yokohama, das poucas, mas preciosas fitas VHS que encontrou em sua casa. Cenas aleatórias, como são as memórias afetivas, de uma juventude em busca da realização pela música. Foi, sem dúvida, um tempo importante na construção do artista que sou hoje.





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